sexta-feira, 9 de julho de 2010

Reencontro

Coisa comum é irmão mais velho ser a referência para os mais novos na infância. Bem, na verdade até hoje a Bruna, minha irmã, ainda é. Bruna era criança esperta, obediente, inteligente. Lembro de até me questionar porque ela era tão pretinha e eu não. Mas o que mais admirava era quando ela chegava da escola (eu ainda não estudava) cantando musiquinhas e meus pais adoravam. Afinadinha! E também quando Sandy e Junior tocava no disco e ela sempre ritmada, fazia passinhos bonitinhos. Já eu não nasci afinada. Nem tinha ritmo direito. Mas sempre gostava de ser aplaudida quando inventava minhas musiquinhas e cantava, mesmo desafinada. Minha mãe, de família musical (muito talentosa, por sinal) também insistia todo dia colocando alguma coisa pra me ensinar a dançar. De preferência "bada" ou lambada, meu ritmo favorito na infância. Na verdade eu não sei se gostava mais da lambada ou do vestidinho "de danxá bada".

Bem, a verdade é que a Bruna aos nove anos entrou no Coral Infantil da UCG, hoje PUC, onde meu pai é professor. Não preciso falar que eu não faltava uma apresentação e um ensaio. Minha mãe e meu pai foram se preocupando com meu envolvimento, afinal eu tinha certeza que assim que completasse sete anos, eu estaria ali dentro. Mas o obstáculo era um tal teste de aptidão. Meus pais acreditavam fielmente que dele minha desafinação não passava. Me enfiaram por um mês na casa da vizinha, que tem piano, e ensaiei repetidamente "parabéns pra você". Era a música que tinham pedido pra Bruna cantar no teste. Era março, como faço aniversário em maio, fui fazer o teste com seis anos mesmo. Sinceramente, não sentia a desconfiança dos meus pais. Talvez porque, abusada como sempre, eu tinha certeza que entraria ali no coral. Hãm, eu sabia todo o repertório! Já sabia até a postura de coral. Achei que isso era quase suficiente.

Se eu não estava tensa até então, não foi mesmo o teste que me deixou nervosa. Chegando na salinha do coral, na época bem pequena, me encontro com a tal Tia Elene, que já era minha tia também. Serena, com aquele jeito de lidar com gente que até hoje tento aprender. Sorridente me perguntou se poderia cantar "Atirei o Pau no Gato" batendo palma nos fins das frases. Tipo to-to, reu-reu, ca-ca. Não era parabéns que tanto tinha treinado. Mas deu tudo certo e ao fim, bem pedagogicamente, Tia Elene me pediu reservas e disse que estava impressionada com meu teste. Acreditei.

Foram onze anos no coral da Católica. Dos seis aos 17. "Carinhoso" foi a primeira música que aprendi. Cirandas também foi por aí que me ensinaram. Aos 10 fui desafiada a atuar, dançar e cantar com "A Magia de Monteiro Lobato". Dali, solo no Musical das Águas, quando comecei a viajar bastante sozinha. Depois entrei pro sexteto Musicanto. Foi quando cantar teve tom profissional. Por fim, até me rendeu viver experiência de atriz de cinema, no curta de Amarildo Pessoa "A Última Clareza".

Mas nada do que me aconteceu musicalmente e profissionalmente tem o mesmo impacto do que a formação humana que o coral, na pessoa da Tia Elene, me proporcionou. A verdade é que não dá pra pensar o que teria sido da minha vida, se não tivesse entrado no coral. E também não dá pra registrar tudo que vivi, aprendi, conheci nesse espaço. Encontrar a Tia Elene é uma sensação muito parecida com chegar em casa depois de uma longa viagem. Apesar do tia, ela teve papel de mãe, que cria, ensina e depois deixa o filho voar, ficando sempre de olho, mesmo que longe. Desde os meus 17 era sempre assim. Filho chegando em casa depois de viagem longa e falando como foi. Ou como está.

Quatro anos depois a moça que me ensinou a cantar lírico, mas também música popular brasileira, conhece o tal trabalho de coco que suas meninas estavam metidas. Ela gostou. Ufa. Assistiu, dançou, curtiu. Segunda passada, o reencontro. Sem timidez ou desconforto, eu e Bruna procuramos Tia Elene pra ajudar no vocal dos Passarinhos, que já não conseguimos mais avançar sem empurrão profissional. Sem pestanejar, com o mesmo sentimento de mãe, ela nos recebeu de volta na sala do Coral.

Acho que tá aí a graça da vida. Reencontrar. Que pessoas muito especiais passam por nossas vidas e que depois acabam indo, a gente aprende em cada página de frases de efeito na internet ou em livros auto-ajuda. Mas que vamos reencontrar e que elas serão especiais de novo não é certo. E quando acontece é talvez mais prazeroso do que se não tívéssemos nos afastado. Reencontrar uma música, um filme, uma cartinha, uma peça de roupa, um caderno. Não sou tão manteiga assim, nem tenho tendência a escrever coisas sentimentais e pensar sobre isso. Mas reencontrar a Tia Elene, o sentimento que vivi essa segunda, confesso, me fez refletir. Eu não só me reencontrei com ela, mas com minha infância, com minha formação, com meu aprendizado, minha história. Se não reencontramos, nossa história passa batido. Não paramos para lembrar como era. Mas, talvez, Walter Benjamin pode falar melhor sobre isso. Não me atrevo e já cansei as vistas do querido leitor.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Diz que entrevista

Daniela Guirra, matogrossense de nascença, goiana de coração e paulista por curiosidade, tem o pé em todo lugar do mundo, de alguma forma. Por Goiânia ela está envolvida através de fatores como amizade, talento, negócios e oportunidade. Junto à Carla Hagemann, que um dia foi sua chefe-sereia, abriu a cabeça, o coração e um negócio. Cansaram de fazer estampas pra fora, produzir calças apertadas com strass na bunda pra deixar a mulher bonita. A idéia foi deixar bonito o que já é. Ser prática e adaptar a roupa à mulher do século XXI: que acorda, trabalha, vai ao mercado, cozinha, leva filho ao médico e depois ainda vai a um jantar romântico.

Mas mais do que produzirem roupas, elas, junto ao marido de Carla, o Amarildo, quiseram ter um espaço pra conversar, falar da vida, ter ideias, mudar o futuro, quem sabe e também, vendendo roupas e acessórios! Eis que surge o espaço Bangalô, com propostas diferentes, porém complementares: Balaque e Lord Dogs. Nesse domingo, 28, eles apresentam a ideia do espaço com desfile Lord Dogs e Balaque, além de show dos Passarinhos do Cerrado. Quer entender melhor? Vem comigo!

Entendendo quem é essa tal de Bangalô

Qual a proposta da “Bangalô”?

O nome lembra uma extensão de um lugar muito bom pra você ficar: um bangalô na praia. Uma coisa que caiba você, seu amor, seus amigos e pronto. Quisemos fazer um mega bangalô pra matar saudade, ler livro, comentar sobre um cd, ficar à vontade, como quando você fica em frente ao mar. Entrar no nosso espaço e se sentir fora e ao mesmo ao tempo dentro de um lugar que muita gente não sabe ou não está sabendo que está lá. Feliz, é isso.

Como se configuram Balaque e Lord Dogs dentro de uma única proposta? O que as aproxima o que as distingue?

Quando pensamos no espaço, que primeiramente não tinha nome, sempre tivemos muita vontade de ter um lugar pra chamar as pessoas que a gente gosta, que pudéssemos fazer parceria. Só poderíamos fazer isso fazendo o que a gente sabe: roupa. Acreditamos que a roupa pode comunicar muito, ela fala muito como você está, o que está vivendo. O que aproxima as duas não é o óbvio: uma é mais masculino e outra feminino, mas ambas, em públicos diferentes, em roupas diferentes, querem a mesma coisa: poder mudar algo, reunir as pessoas, que possam trocar informações, causar interação. Um espaço que pode ser mais do que um lugar que venda livros, roupas. O nosso objetivo maior é que as pessoas vão conversar lá, e saindo dali vão tocar a conversa em diante, mudar uma realidade. Uma coisa pequena que pode mudar o dia, o fim de semana. Desde uma música até uma proposta. Estamos sentindo nas poucas pessoas que freqüentam lá, que isso funciona.

Quem veste Balaque?

A Balaque surpreendeu muito. Inicialmente tínhamos a idéia que pessoas de 18 a 30 anos, no máximo 40 iriam gostar de Balaque. Mas muita gente foi gostando. Como deixar essas mulheres femininas sem deixar com roupa marcando corpo? Essa era a pergunta que fazíamos pensando na proposta Balaque. Não tenho como definir por faixa etária, tipo de corpo. Tanta gente se identifica, não é o tipo de marca que você fica esperando a filha provar alguma coisa pra ir embora. A filha prova e a mãe acha alguma coisa também, ou vice-versa. Todo mundo acha alguma coisa que quer. Já tivemos caso com meninas de 13 e de mulheres de 55 que se identificaram com algo. Eu tenho 24, Carla 43, e damos certo. A gente consegue um equilíbrio.

Como se identifica balaque na rua?

Você vai colocar a roupa e ela vai dar certo pra ir ao supermercado e também pra ir a uma super festa. Se fizer uma super produção, funciona. E se colocar só uma havaiana, funciona também. Ou seja, é a roupa dos nossos sonhos, que eu e Carla sempre quisemos ter no guarda-roupa. Atendo cliente e vou pro bar com a mesma roupa. Onde vou, me sinto bem. A gente é meio preguiçosa às vezes.

A balaque se identifica com a mulher século XXI. Mãe, mulher e profissional?

Claro! Vai ter reunião na creche. Ela está bem. Vai atender cliente. Está bem também. Vai ao mercado, está ótima. E ela não sofreu pra isso ao escolher a roupa, estava lá a Balaque no guarda-roupa.

Quem veste Lord Dogs?

Lord é voltado pro masculino porque quem desenha prioritariamente o Amarildo. Ele acredita na roupa, em cada peça que faz. Ele faz pra ele, realiza um sonho, mas quer que as pessoas usem isso também. As peças mais diferenciadas masculinas que existem no mercado são muito caras, e a Lord quer dar esse acesso. Ela propõe sair do básico. Os meninos também podem ousar. Também há um quê de transgressora, a linha da calça é neon e não é combinando com a calça. Ela pega o que é antigo, tradicional, como uma calça de alfaiataria, que nossos pais e avós usaram nos bailes, mas transformada em algo extremamente contemporâneo. Ela surpreendeu, pois vimos mocinhos conservadores começando a usar Lord, como algo mais justo, mais cavado. Quem nunca tinha usado, provou, identificou e comprou. Ainda não sabíamos como as pessoas reagiriam ao produto. Mas esse teste fez com que víssemos que a coisa pode ir mais além, e ir além do que a gente imagina.

Também é a coisa da mistura, acredita demais na reciclagem. Junta um pedacinho com outro e transforma numa peça incrível, com preço e visual muito bacana. Utiliza-se materiais não tão nobres, como o material de pneu utilizado para construir poltronas. Há uma pegada disco, rock. Achamos que ia ficar mais no universo masculino, mas atinge muita gente. O feminino está caminhando, mas nossa inspiração feminino pra lord são as meninas de blog. Essas meninas que têm seu blog, que colocam sua roupa que vai usar no dia, reciclam, garimpam muito, adoram um brechó. As meninas da lord dogs são mais montadas. Conseguem pegar uma peça chave da lord e transformar em mil coisas.

Como Bangalô se identifica com a cultura goianiense e com modo de vida das pessoas que vivem na capital?

Primeiro que pra quem vem de fora, sabe disso (meu caso, da Carla, do Amarildo): povo goiano é um povo do bem. Hospitaleiro demais. A gente sentia essa necessidade de chegar e poder freqüentar um lugar, até mesmo consumir, mas que não se sinta só como consumidor. Mas um lugar que as pessoas vão pra se sentir bem, conversar, acrescentar. A identificação mesmo com a cultura e pessoas daqui remete ao estilo de vida. As meninas, meninos, procuram algo leve, fácil de usar, porque é muito quente. Eu que vivi aqui, sei como é o dia-a-dia. Acordar e já estar calor. Pensamos no dia-a-dia dessas pessoas que moram aqui. Temos uma série de meninas recém-formadas e queremos muito vestir essas meninas, esses meninos, que estão acrescentando alguma coisa. Temos muito orgulho dessas pessoas que freqüentam aqui (risos).

Coleção outono-inverno

Quais os elementos que marcam a nova coleção?

A gente continua pensando a mesma coisa da primeira coleção: essas pessoas que vêm aqui, a gente já entendeu que eles querem vestir alguma coisa que seja prático. As pessoas estão sem tempo e sem saco pra se montar demais. A gente se baseou no que vivemos, o trânsito não ajuda, transporte também não e você tem que estar bem. Nosso inverno é ameno. A gente precisava pensar que não podíamos fazer nada pesado. Pensamos em algo que a pessoa pode tirar depois e carregar na bolsa. Não tem nada ‘surtado’ ou pensando em alguém que vá viajar pra fora do Brasil. Pensamos quem está aqui, que vive isso. Trabalhamos com texturas, misturando-as; veludo com renda, mantendo as malhas gostosas do verão passado, porque isso sempre dá certo em Goiânia e se torna uma peça atemporal. Todas as peças têm esse pensamento de você aproveitá-la em outras produções, ocasiões, com vários sapatos: voltado para praticidade sem deixar de ser feminino.

Quais as inspirações para criação da nova coleção?

Quem nos inspirou mesmo foram as pessoas que nós conhecemos e tudo que fizemos foi pensando nelas, que estão ao nosso redor, que são muito diferentes umas das outras. Conhecemos tanta gente diferente, e conseguimos fazer um panorama e definir que todo mundo pode ser feliz, que todos vão se identificar. A vida que as pessoas levam. Em todo momento a gente pensava. Será? Será que ela usaria essa manga? Será que esse comprimento faz sentido pra tal outra? Não que fizéssemos roupas específicas, mas pensamos na diversidade. Muita gente fazendo muita coisa. Nossa cabeça abriu muito.

Evento

O evento (desfile) consistirá em quantas etapas?

O evento se constitui em recepção, desfile da Balaque, depois da Lord Dogs, terminando com show dos Passarinhos do Cerrados apresentando do figurino.

Qual o objetivo do evento do dia 28?

O objetivo do evento é divulgar o Bangalô. Que as pessoas entendam que muita coisa pode acontecer dentro desse espaço. A gente acreditava que ia ser só nosso esse espaço, mas vimos que faz sentido pra muita gente e a gente viu que deveríamos fazer uma extensão desse nosso universo mostrando o que podemos fazer. A gente espera que as pessoas se divirtam, porque a gente quer se divertir.

A partir do primeiro desfile, quais efeitos esperam em relação ao desenvolvimento da Bangalô?

Tem muita gente se envolvendo, agregando, quase um movimento Bangalô. Isso tem acontecido desde a organização. A gente espera que as pessoas apareçam pra passar a tarde com a gente. Queremos que isso realmente se concretize, realize: que as pessoas se reúnam, conversem. Depois disso, aí sim, as coisas vão começar e vamos pensar “a gente não tava louco em pintar uma casa inteira e pensar que as pessoa vão lá passar tarde com a gente ao invés de assistir ao Faustão”.

Vestindo Passarinhos do Cerrado

Como surgiu a idéia de criar um novo figurino para o grupo Passarinhos do Cerrado?

Vontade, no meu caso, tive sempre. Há dois anos e pouco conheço a Carla. E desde que conheço Passarinhos, eu falo deles pra ela. E só quando ela assistiu ao show que foi entender o que eu estava falando e arrependeu de ter demorado de mais e não ter dado importância devida. Ela visualizou que tinha muito da gente na organização dos Passarinhos, na luta deles, a gente vê que eles acreditaram em alguma coisa, ninguém fazia daquele jeito e foram. Felizmente estamos andando junto: música, moda, design. Eu nunca soube definir o que era, e hoje vejo que foi uma identificação de desejo, de luta, fazer alguma coisa que ninguém fez ainda. Apostar, botar todas fichas, e fazer a coisa funcionar, isso que valeu. A gente fica muito honrada de fazer esse figurino.

Qual o conceito do figurino?

A coisa saiu da cabeça da Carla, eu palpitei, interferi, mas a ideia veio mais dela. Pelas nossas conversas o conceito é regional. Ficou muito claro que deveríamos pensar nas necessidades enquanto grupo: que se move, sua, precisa estar com algo confortável. Aconteceu uma identificação com as roupas Bangalô: algo que funcionasse. Se precisar tirar foto e receber alguém no camarim, você está linda ainda. Nossa inspiração tem algumas coisas subentendias: as cores de algumas árvores do cerrado, como ipês, mas algo sutil. Passarinho adora flor, árvore, então o item mesmo é muita flor nas meninas. É um conceito extremamente simples, mas diz muito sobre a banda, tem que ser alegre, porque depois que você vai a um show realmente, ou 300 mil como eu, você vê como as pessoas ficam felizes, quem não viu fala: como não vi antes. E quem já viu está se debatendo louco, dançando com desconhecido, aprendendo a dança. Ter acesso a alguma coisa que simplesmente não tinha aqui. Poderia ter outra banda com os mesmos instrumentos, propostas, mesmo assim não teria nada a ver. Compromisso com praticidade, com que funciona.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Stop, read, think

"Watch your thoughts
They become words
Watch your words
They become actions
Watch your actions
They become habits
Watch your habits
They become your character
Watch your character
It becomes your destiny"

Unknown writer

terça-feira, 9 de março de 2010

Um post inútil

Como eu sei que meu ano começou mesmo e que comecei já a ter uma vidacheia a la nadiawayoflife?

1. Consumo de coca-cola aumenta
2. Consumo de água e cerveja diminuem
3. Esqueço de comer
e quando lembro...
4. Fico louca numa porcaria
5. Faço menos carinho no Dalai quando chego em casa
6. Arrumo briga à toa com namorado
7. Escrevo mais na agenda (tentando organizar o tempo) do que no caderno durante a aula
8. Aumentam os meus 'nãos' pra sair e pra tomar cerveja
9. Sinto que ficar em casa é quase luxo
10. Meu celular vive cheio de lembretes

E, agora, vamos ao que interessa, que blog é que não é.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Uma aula que incomodou

Esse semestre vivo uma situação, digamos nostálgica, mas que acabou me causando preocupação mesmo. Estou tendo aulas na Filosofia com o professor que me deu aula no primeiro semestre de faculdade. Bem, a verdade é que ele me fez lembrar que eu estou no 4º ano de universidade (não necessariamente que vá formar esse ano, ok? Deixo isso pra 2011). Isso quer dizer que eu, supostamente, deveria dominar sobre juízos analíticos, soberania, moral, eu-trascendental, biopolítica e todas essas coisas. O que não ocorre. Mas, por outro lado, estar de novo com ele em sala, me botou pra pensar e pra recordar.

Você sabe quando sente cheiro de algo ou ouve músicas que te fazem lembrar exatamente de um determinado espaço/tempo? Isso aconteceu quando ouvi aquele vozerão grave do Wagner (professor). Lembrei do meu all star verde, das inúmeras cervejas na pamonharia com os novos amigos, das farras com os antigos, que hoje estão fora de Goiânia, dos meus tempos de teacher no Chicago. De quando eu tinha tardes livres para passar na biblioteca resolvendo os exercícios de lógica e do dia que fui ao quadro resolver um, acertei e fiquei feliz a ponto de até hoje não ter esquecido disso (o bicho pegava nessa disciplina!).


A verdade é que eu não tinha nem ideia do que era estudar filosofia. Nem pra quê isso serviria. De lá pra cá duas coisas aconteceram, de relevante. Pro desgosto de Wagner, eu não continuei a estudar lógica nem nada parecido. Minha grade é escancarada (diferente de aberta) o que me fez optar majoritariamente por disciplinas de filosofia política, por afinidade (descobrir o que se gosta em filosofia é uma grande coisa, demorei 1 ano e meio). A outra coisa é que estudar filosofia por três anos não me fez palpitar sobre fenomenologia, provar a existência de Deus, muito menos ganhar muito dinheiro. O efeito mais visível e denso até agora é um: eu fiquei muito chata e exigente. Ela te faz duvidar ou criticar (mentalmente, tb não fico verbalizando) quase tudo que se ouve por aí. E se os meus conselheiros falavam que a filosofia ia 'me ajudar' no jornalismo, ela, muitas vezes, me deixa é muito irritada com o que temos nessa área.


Ok, tudo isso pra falar da aula magna que tivemos no jornalismo na quarta-feira. Bem, o tema era: "Universidade: o caminho rumo ao sucesso profissional". Minha mãe e meu pai, nascidos de pais que não tinham nada pra deixar pros filhos ficarem brigando e da geração que começava a ralar cedo, precisavam da universidade para ter futuro profissional. Juro que não quero dispensar linhas falando dos novos passos pro sucesso, além de meramente estar na universidade. As livrarias estão cheias de best-sellers pra isso. Mas, sinceramente, ter ideia de que universidade serve para se ter sucesso profissional, e só, é coisa do século passado. Acho que quem sugeriu esse tema deve ter adorado a mudança de UCG para PUC, afinal, os curriculos vão ter mais uma estrelinha e isso é ótimo pros futuros profissionais. Mas ela não sabe que o que fez a universidade tornar-se PUC foi justamente o tripé: ensino, pesquisa e EXTENSÃO.

O Jornalismo dá passos de formigas para se desenvolver nisso, atuando hoje somente com projeto Ciranda e Semana de Cultura e Cidadania da universidade. Se há outros e não estou sabendo, identifico aqui outro problema. Não vou ser cruel e, de forma alguma, extender a crítica à PUC, que tem realizado e crescido muito em extensão. A Semana de Cultura e Cidadania não me deixa mentir. Mas, inevitável comparar. Enquanto a aula magna do jornalismo tem esse tema e chama ex-alunos recém-formados para mostrarem o quanto estão bem sucedidos aos 25 e falam o que temos que fazer para ser iguais a eles, o DCE da UFG convida Dom Tomás Balduíno para uma palestra com tema "A ciência em debate: por uma universidade popular". Ano passado o tema era "Universidade para Comunidade".

Agora em março começa um curso de especialização que é resultado da parceria entre UFG e Pontão de Cultura República do Cerrado. O objetivo é capacitar as pessoas que atuam nos pontos de cultura e a longo prazo pensam em capacitar também quem não tem graduação, realizar festivais, feiras, ou seja, extender mesmo a universidade à sociedade. Os projetos de incubadoras da UFG também estão aí pra provar que ela valoriza extensão, os alunos estão envolvidos e as ações interferem mesmo na sociedade de maneira afirmativa.

Bom, na verdade eu espero que em poucos anos o jornalismo da PUC possa fazer uma aula magna com tema relacionado à extensão e chamar para compor a mesa alunos que tenham a falar sobre a experiência de certo projeto de extensão que tenha trabalhado, e não quantos 10's tiraram e monitorias deram para que conseguissem chegar à redação de não sei aonde ou direção de marketing de não sei que empresa.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Meu carnaval pernambucano com paracetamol - Parte final

Quarta de cinzas. Que tristeza que deu. As pessoas tinham ido embora. As ruas estavam vaziiiiiias, perto do que tinha sido. Os trompetes tocavam meio isolados. Me deu certa melancolia. Passou tudo tão rápido! De manhã fomos no mercado do Recife. Você sabia que é o mais antigo da América Latina? Nem eu. Lembranças pra quem está em Goiás, minha mãe e Paulinha acharam que o mundo ia acabar em artesanato, Tia Clara em colar. Mas eu juro que não suportava mais o cheiro de mer** daquela cidade.

De tarde fomos atrás do tal do bloco dos artistas que tocaram no carnaval. Eu mesma não vi um nesse bloco. Mas pelo menos acompanhei um bloco por um bom percusso no carnaval. O abusado do Rodrigo foi até o fim tocando a caixa de alguém que ele tomou. E além disso vi o Siba pelas ladeiras (suspiros, rs). Na prefeitura, parecia ser terça, segunda, domingo ou sábado de carnaval. Mais umas rodadas por uns blocos, assistimos a uma apresentação do tal do 'boizinho' e fomos pra casa (aquele ritual) pra voltarmos para vermos mais delas.

Bruna tinha sido pega pela doença ruim de Pernambuco. Tava acamada. Miti e Paulinha há dias também estavam no mesmo (super) pique que eu. Bem, a verdade é que o colchão, a novela, as baboseiras, o cochilo pegaram nós quatro. Mas foi muito divertido. Sabe, quando se ri à toa? Quando há uma sintonia sem motivo? Foi isso. Perdemos Quarteto Olinda, os boizinhos, e ganhamos horas de sono. Afinal, quinta-feira nunca foi de carnaval, era hora de voltar pra casa e encarar que 2010 começou. E tá aí, louco pra me engolir.

Meu carnaval pernambucano com paracetamol - Parte V

Segunda foi dia de praia. Porto de Galinhas o destino. Bem, acho válido lembrar e fazer uma leve propaganda aqui. Ir pra Recife, significa estar ao lado de Olinda, 50 minutos de Ilha de Itamaracá, 1h20 de Porto de Galinhas, mais 20min chega em Ilha do Carneiro. Além de 1h30 pra cima e você está em João Pessoa. Chega um poquim mais pra riba e está em Natal. Ainda não tive oportunidade de conhecer tudo, mas quero um dia. Bem, aproveitamos disso, alugamos van, enchemos de gente e fomos pra tal de Porto de Galinhas.

Bem, particularmente eu achei Itamaracá bem mais bonito. Mas, confesso que vacilei, quis dormir um pouco antes de ir desbravar a praia e quando é fé (adoro essa expressão goiana, muito utilizável) a fila estava gigaaante para pegar jangada para as piscinas naturais. Mais um pouco, muito vento, e as jangadas nem sairam mais. Bem, não conheci as tais piscinas. Fiquei ali naquela aguinha quentinha, sem onda, azulzinha, me refrescando. Quero destacar que há muito tempo não ia minha família toda pra praia. Isso é algo importante na vida de uma família de classe média (rs). Bem, no mais... repito, praia é isso aí. Voltando pra casa, minha amiga indisposição me chamou pra ficar com ela em casa e deixar de ir assistir ao show do Eddie no Fortim. Prontamente, aceitei seu convite.

De noite fomos no Recife na tal noite dos tambores silenciosos. Em 2009 choveu muito, tinha água suja, nojenta, até o joelho. Mas achei tudo lindo. É uma celebração com uma pegada candomblé e muitos grupos de maracatu. Vejam só, essa vez, até a gente conseguir chegar no local, andamos muuuuuuito. E fedia demais! É muito descuido com saneamento básico, com higiene. Vocês vejam como fiquei enjoada de um ano pro outro. Em um, não me importo com água de esgoto no joelho e muita chuva. No outro, não aguento nem o cheiro. Meu pai, tadinho, andava dando ânsia e apelidou, carinhosamente, o estado de Pernambucoco. Minha mãe é assim: adora muvuca de Olinda, aquela coisa que nao dá pra se mover. Mas em Recife não gostou. Resumindo, essa noite foi meio fracasso. O fedor e a muvuca nos repeliram da cidade. Ok, meu paracetamol me esperava em casa.

Terça. Pois é, terça é mesmo o último dia mais movimentado de carnaval. O carnaval começa bem antes, mas quando ele acaba, acaba mesmo. Quando chegarmos na quarta explico melhor sobre isso. Mas terça já tinha um ar de despedida, apesar de ninguém da casa ainda estar indo embora. Nesse dia totalizávamos 8 doentes na casa. Juntamos eu, Artur, Ayana (namorada) e Paulinha e fomos juntos tomar um soro no posto pra conseguir subir ladeira. Ayana assustou com ambiente e correu da agulha. Eu, Pablita e Tutu ficamos ali, com soro na veia! Competindo quem acabava primeiro. Paulinha ganhou, mas teve que voltar pra tomar mais. Eu e Artur tivemos alta. Não vou esquecer da frase da Paulinha: "Ê, gente! Antes estar aqui pra tomar glicose, né?". Né? Carnaval a gente espera esse tipo de coisa. Soro não!

Botamos nossos abadás e fomos pra rua. Muita gente, muito bonecão, muito frevo, muito confete. Daquele jeitinho que descrevi na parte I. Uma pausa no restaurante oásis no meio de Olinda, nos livrando de fedor, barulho e muvuca. (Engraçado, quando você tá curtindo não há fedor, o barulho é som, e muvuca é gente). Mais umas perambuladas por Olinda (que a essa altura do carnaval fedia demais!).

A noite, no Pátio São Pedro, que guarda seu charme a aconchego, me reservou grandes emoções: show da Renata Rosa. Bem, assistir ao show dessa cantora é muita emoção na vida de uma coquista. Mári que o diga que chorou o show inteiro. Fiquei na frentinha. Eu não queria nem cantar muito as músicas junto pra admirar mesmo cada voz. Nem dançar muito coco, pra não perder nenhum movimento das performances, do jeito de tocar daquele grupo. É, Renata Rosa é a estrela, mas ela tem várias estrelinhas em palco que ganharam minha admiração. É... muito lindo e ali era uma das coisas que faziam valer minha viagem. Dali, show do Original Olinda Style no Recbeat. Maciel Salú, Eddie, Orquestra Contemporânea de Olinda. Que sonzera! Mas lá veio a chata da minha amiga indisposição me chamar pra casa. E fui. No outro dia era o menos desejado pelos pernambucanos: o último (?) do carnaval.